Apresentação
“O Colectivo de professores e o associacionismo”. Associação Internacional de Lusitanistas (AIL)
M. Carmen Villarino
Pardo
Universidade de Santiago de Compostela (Galabra)-Vogal da AIL
1) Breve
história e estrutura da Associação Internacional de Lusitanistas
Fundada em Poitiers em 1984 pelo lusitanista Prof. Doutor R. A. Lawton, a
Associação Internacional de Lusitanistas (AIL) tem por objecto,
segundo os seus Estatutos (artigo 2º), fomentar os estudos de língua,
literatura e cultura dos países de língua portuguesa, organizar
congressos e publicar as actas, preparar e publicar a revista da mesma Associação,
colaborar com instituições nacionais e internacionais.
Podem ser membros da Associação “docentes universitários,
pesquisadores e estudiosos aceites pelo Conselho Directivo e cuja admissão
seja ratificada pela Assembleia Geral”. Na actualidade, a AIL conta
com perto de 850 associados, distribuídos por 32 países dos
diferentes continentes. É este, precisamente, um dos aspectos que conferem
notoriedade à Associação, pelo facto de ser um dos objectivos
que a definem – e marcam as linhas e intensidade dos seus trabalhos
– essa preocupação por atingir aqueles lugares em que
as culturas, literaturas e história dos povos de língua portuguesa
possam ‘marcar’ a sua presença.
A Associação Internacional de Lusitanistas converte em valor
essa riqueza e essa variedade interna derivadas da procedência dos seus
sócios; tentando, assim, estabelecer diferentes estratégias
de relacionamento para adaptá-las aos lugares em que está presente
e visando, nas suas dinâmicas como associação internacional,
não desatender as necessidades daqueles lugares em que a presença
do português conta com menos apoios.
O número de sócios e o próprio teor da Associação
(definido pelos seus Estatutos e Regulamento Interno) permitiram a sua integração,
desde 1997, na Fédération Internacionale des Langues et Littératures
Modernes (FILLM, www.fillm.ulg.ac.be/) – vinculada à UNESCO –
que inclui 18 associações internacionais congéneres de
países ou lugares, envolvendo as línguas de cultura alemã,
americana, asiática, escandinava, eslava, francesa, hispânica,
húngara, inglesa, italiana, latino-americana, neo-latina, oeste-africana,
portuguesa e de literatura comparada.
O facto de a AIL ter sua sede na Universidade portuguesa de Coimbra –
a que estiveram ligados alguns membros destacados dos seus órgãos
directivos – vinculou a Associação historicamente muito
mais ao espaço luso; também em termos de convénios e
subsídios de colaboração. Nos últimos anos, e,
sobretudo, a partir da presidência da Professora Regina Zilberman (iniciada
em 2002 e reeleita em 2005), a presença brasileira vem adquirindo destaque,
que talvez deva concretizar-se ainda mais no estreitamento de vínculos
com instituições do Brasil.
O património da AIL está constituído pelas quotas dos
associados e subsídios, eventuais doações e patrocínios
de entidades nacionais ou estrangeiras, privadas, cooperativas ou públicas.
Neste aspecto adquirem um papel destacado os convénios ou protocolos
assinados com regularidade ou durante períodos concretos com instituições
da área lusófona. Destacamos, neste sentido, os protocolos assinados
com o Instituto Camões (fornecendo apoio financeiro à AIL desde
1994), com a Fundação Engenheiro António de Almeida (nomeadamente
no relativo aos primeiros números da revista Veredas), com
a Universidade Aberta e com a Biblioteca Nacional de Lisboa.
A AIL tem, tal e como está definido nos seus Estatutos e no Regulamento
Interno, três órgãos sociais: -a Assembleia Geral, -o
Conselho Directivo e -Conselho Fiscal. O período de mandato destes
órgãos é de três anos, fazendo coincidir o final
do mesmo com a celebração do congresso trianual, cujo lugar
decide a própria Assembleia (artigo 7º).
A Associação Internacional de Lusitanistas é dirigida
por um Conselho Directivo (eleito pela Assembleia Geral) composto por um Presidente,
dois Vice-Presidentes, um Secretário Geral/Tesoureiro e onze vogais.
O Conselho Fiscal consta de três membros.
2. Visibilidade da Associação Internacional de Lusitanistas
Nestes mais de vinte anos de história da AIL, verifica-se que os Congressos
são um elemento fundamental para dar maior visibilidade à Associação
e convertem-se numa plataforma importante para estabelecer estratégias
de cooperação com outras entidades – de diferente natureza
– que se somam à tarefa de difusão da língua e
culturas lusófonas no mundo.
O encontro trianual que marcam os congressos desta Associação
Internacional é já um dos momentos do calendário académico
de quem trabalha com aspectos diversos da lusitanística. Os congressos
são uma actividade obrigada para os responsáveis pela Associação
que, tal e como reflectem os Estatutos, devem garantir a sua celebração
(e posterior divulgação de resultados). De facto, entre o primeiro
de Poitiers, em 1984, e o próximo, na região autónoma
da Madeira (IX Congresso, Agosto 2008), a AIL manteve um calendário
congressual com pontualidade e viajando a Leeds em 1987, a Coimbra (1990),
a Hamburgo (1993), a Oxford (1996), ao Rio de Janeiro (1999), a Brown, em
2002, e, no VIII Congresso, a Santiago de Compostela. De cada um deles, a
Associação Internacional de Lusitanistas saiu fortalecida e
foi incorporando mudanças derivadas de acordos adoptados em diferentes
Assembleias Gerais. Referimo-nos, por exemplo, ao facto de lançar,
a partir de 1999, uma revista científica, Veredas-Revista
da Associação Internacional de Lusitanistas; à modificação
dos Estatutos no VI Congresso, ou à decisão de nomear Membros
Honorários os sócios Hélder Macedo e Cleonice Berardinelli,
a partir do VII Congresso.
O número de sócios e a presença da Associação
em países como a Alemanha, a Inglaterra, o Brasil, os Estados Unidos
da América ou a Galiza viu-se ampliada com a organização
e desenvolvimento destes eventos. Neste aspecto, ocupam um lugar de destaque,
pela elevada participação, os congressos decorridos no Rio de
Janeiro (1999, VI) e em Santiago de Compostela (2005, VIII). O facto de, praticamente
em todos os congressos, assistirmos a intensos debates entre as diferentes
candidaturas para acolher o seguinte encontro é uma boa amostra do
prestígio de uma Associação como esta.
Os congressos estão orientados, basicamente, a conhecer a actualidade
dos estudos nas diferentes áreas que têm a ver com o mundo lusófono,
com um peso especial daqueles ligados à língua e à literatura,
mas não só. Um dos objectivos é também impulsionar
essa presença lusófona naqueles lugares que acolhem o Encontro.
Nesse sentido, esta Associação Internacional vai às diferentes
sedes através dos participantes nos congressos e deve sair mais reforçada
em termos de projeção social, de estabelecimento de relações
com perspectiva de futuro com outras entidades sociais e de teor semelhante
e, de modo especial, deixar abertas portas de continuidade do(s) trabalho(s)
apresentados. É óbvio que os contactos pessoais representam
uma das formas de maior fluidez, com um interesse maior no caso de colaboração
entre equipas de pesquisa.
Sobre este aspecto, a AIL conta actualmente com uma página web (www.lusitanistasail.net),
actualizada e completa, que fornece informações relativas à
estrutura, história, congressos e ‘notícias’ que
divulgam trabalhos dos sócios ou actividades que se desenvolvem num
período próximo de tempo, com o intuito de se converter em montra
viva da cultura – sobretudo na vertente académica – no
espaço da lusitanística. Entre aquele Boletim Informativo que
recebiam há uns anos os sócios em papel e via correio postal
às informações disponíveis nos últimos
anos na página da AIL na rede mudaram os tempos, como também
mudou – e assim era de esperar – a Associação.
A Associação Internacional de Lusitanistas participa também
de eventos científicos de cáracter mais local nos diferentes
estados em que estão distribuídos os seus sócios, nomeadamente
através dos Vogais. Este “I Forum da Língua Portuguesa
no Contexto Ibérico”, organizado pela Aplepes, é
uma pequena amostra deste tipo de colaborações.
Assim, a visibilidade e
interacção da Associação com a comunidade académica
e com os diferentes espaços sociais em que tem presença estabelece-se
-não sempre com o grau desejável- de diversos modos. Os congresos
são, como vimos, o elemento mais destacado, e, derivados deles, a publicação
das Actas dos Encontros; também as actividades desenvolvidas pelos
seus representantes e membros da Diretoria; as parcerias estabelecidas e,
sem fechar as possiblidades, a publicação da revista
Veredas. Esta publicação científica
– ISSN: 0874-5102 – tem uma periodicidade, em principio anual,
mas com números especiais cada 3 anos, com motivo dos congressos. Recentemente,
e por re-estruturações internas, os volumes estão sendo
de tipo monográfico e com coordenadores específicos. A revista
– por enquanto unicamente distribuída em formato papel –
pode adquirir-se de modo avulso ou através de assinatura.
Os diferentes modos de a Associação Internacional de Lusitanistas
se mostrar são sempre através da língua portuguesa, em
qualquer uma das suas variantes.
Uma apresentação como esta não deixa de ser uma síntese
da história interna e externa de uma Associação que tem,
nestes momentos, 23 anos de vida e que continua a trabalhar com o objectivo
de divulgar e consolidar os estudos da lusitanística no mundo. Neste
I Fórum da Língua Portuguesa no Contexto Ibérico
as minhas palavras tentaram mostrar um modelo de associação
que funciona num ámbito concreto e que oferece um espaço consolidado
para integrar novos sócios e novas iniciativas ou propostas que se
somem àquelas que já funcionam.